25 de agosto de 2011

Cordão umbilical: qual é a hora certa de cortá-lo?


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Um novo estudo americano mostra que esperar para cortar o cordão pode garantir a transferência de células-tronco e evitar hemorragias nos primeiros meses de vida do bebê

Ana Paula Pontes

Você sabia que o momento de cortar o cordão umbilical do seu filho é importante para a saúde dele? Uma nova pesquisa feita pela Universidade do sul da Flórida, nos Estados Unidos, mostrou que esperar o cordão parar de pulsar para cortá-lo pode garantir a transferência de células-tronco, em um processo conhecido como transplante natural. Além disso, o atraso no corte reduz a incidência de hemorragia e a diminui a necessidade de transfusões de sangue no futuro. 

Outra pesquisa, dessa vez brasileira, também reforça os benefícios desse atraso para a saúde. O estudo sugere que esperar 1 minuto para fazer o corte (ou clampeamento) do cordão aumenta a quantidade de ferro no seu organismo. Esse seria mais um fator que ajudaria na redução de anemia nos primeiros meses de vida. 

Para essa pesquisa, liderada pela pediatra Sônia Venâncio, do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, foram avaliadas 224 crianças. Dessas, 109 tiveram o corte imediato e 115, tardio. Depois de três meses do nascimento foram realizados exames para verificar o nível de ferro. No segundo grupo, o benefício ficou comprovado. 

A maioria dos profissionais realiza o corte na hora que o bebê nasce. Para Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista do Hospital Sírio Libanês (SP), o ideal é esperar o cordão parar de bater para cortá-lo. “No útero, o sangue do bebê é oxigenado pela placenta. No nascimento, ocorre uma mudança no sistema circulatório da criança para que comece a receber oxigênio pelos pulmões. A garantia de que essa transformação aconteceu, e o bebê está preparado para respirar fora do útero, é quando a artéria do cordão pára de pulsar”, diz Pupo. 

O procedimento, no entanto, gera polêmica entre os especialistas. Enquanto há estudos sugerindo vantagens do corte do cordão tardiamente, há outros que mostram riscos, como a policetemia - excesso de glóbulos vermelhos no sangue - e a icterícia, que é aquela cor amarelada da pele. “Um corte tardio faz com que a criança receba um volume maior de sangue da mãe, causando esses tipos de problemas”, diz Renato Kfouri, pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana (SP) e diretor da Sociedade Brasileira de Imunização. 

De acordo com a autora do estudo, ao avaliar as complicações do corte tardio, não houve diferença de icterícia entre os grupos. “Para evitar o excesso de volume de sangue para o bebê, tomamos o cuidado de deixá-lo um minuto ligado ao cordão na mesma altura da placenta”, afirma. 

Anemia e amamentação 

Segundo Renato Kfouri, a prevenção de anemia pelo corte tardio do cordão pode ser mais significativa numa população em que o problema é endêmico. A anemia por deficiência de ferro está relacionada a diversos fatores. “Alguns exemplos são as gestantes anêmicas, que podem passar menos ferro para o bebê, e os prematuros, uma vez que a transferência de ferro é maior no fim da gestação”, diz. No primeiro ano de vida, o aleitamento materno é a grande prevenção da anemia. 

Fontes: Sônia Venâncio, pediatra do Instituto de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo; Rubens do Val Júnior, obstetra do Hospital São Luiz (SP); Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista do Hospital Sírio Libanês (SP); Eduardo Cordioli, obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP); Renato Kfouri, pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana (SP) e diretor da Sociedade Brasileira de Imunização



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