20 de abril de 2012

Relato da cesárea de Érian e do nascimento da princesa Ester




Érian entrou em contato comigo pela internet (facebook ou e-mail, não lembro), quando estava com 24 semanas. Disse que gostaria do acompanhamento de uma doula e que gostaria que seu parto fosse domiciliar. Me contou que tinha uma cesárea anterior de 6 anos. Depois de mais algumas conversas ela decidiu que eu seria sua Doula.

Demorou um pouco para nos encontrarmos, até tentamos nos falar pela webcam, mas não conseguimos. Sempre me mandava noticias de como estava, como tinham sido as consultas no posto de saúde. Nesta época havia entrado em contato com uma equipe de parto domiciliar da capital,  e uma parteira. Mas não deu certo devido aos valores e condições de pagamento.

Decidimos procurar hospitais que deixariam pelo menos a doula entrar, fomos sondando e ficamos com 3 alternativas, mas a melhor opção seria o hospital de Clínicas. Um dia Érian me enviou uma mensagem dizendo que havia encontrado uma equipe numa cidade próxima. Ela estava ansiosa pelo encontro com a médica. Nesta época ela já estava com 35 semanas de gestação. A médica disse que não poderia assumi-la de imediato, pois viajaria, e talvez quando ela voltasse Ester já teria nascido. Mas combinaram de se falar na volta, se caso não tivesse ocorrido o parto. E assim foi. Érian e Fernando estavam muito satisfeitos com a conversa, e felizes, pois conseguiriam o parto domiciliar tão esperado.

Fomos nos encontrando e conversando sobre alguns aspectos do parto, intercorrências, plano B, e outras coisas. Creio que no total foram 5 encontros maravilhosos, e recheados de muita alegria. Quando Érian estava com 39-40 semanas fui pintar sua barriga, para guardarmos uma lembrança especial, e foi uma tarde fabulosa.

Estávamos só aguardando Ester dar sinal de que estava vindo, enchermos a banheira, que foi emprestada de uma amiga, e aproveitar o momento mágico que é o nascimento de uma criança. Mas nesta ultima mudança de lua, Érian me chamou no facebook e deu a má notícia...A equipe que assistiria o parto dela, não o iria fazer mais. Foi um choque! No dia seguinte fui vê-la e estava visivelmente abalada...
Disse à ela que não importava, que nós iriamos  para o hospital escolhido, que tem suite individual, com bola, cavalinho, ducha quente, “humanizado”, e que tudo daria certo. Érian não tinha medo de não conseguir, mas sim da equipe que a atenderia no hospital, e se eles a respeitariam.

Poucos dias depois da triste notícia, ela entrou em fase latente, com cólicas e dores nas costas. Uma amiga dela, que aplica acupuntura, deu uma força, estimulando alguns pontos. Contrações a cada 15 minutos, às vezes encurtavam, mas espassavam novamente. Érian contava elas a cada 3 minutos. Como eles moram a 1 hora da minha casa, decidi ir lá e partejar.Cheguei pelas 15 horas, e as contrações estavam a cada 15 minutos mesmo. Decidimos ir na Adriana fazer outra sessão de acupuntura para ver se engrenava. Érian ainda estava chateada pelo seu desejo de ter um parto domiciliar não ter acontecido. Depois da sessão as contrações começaram a vir a cada 7 minutos. Fernando fez uma torta de atum com azeitona e pimenta maravilhosa. Comemos muuuito!

Érian tentou descansar, mas não conseguiu. Foi para ducha e lá ficava um tempo, saia, ia para bola, e assim ficou. Pelas 12 hs da noite fomos todos tentar dormir. Érian já estava com contrações a cada 5 minutos, e não conseguiu dormir, relaxar. Pelas 4 hs as contrações começaram a ficar de 4 em 4 minutos e querer diminuir mais o intervalo. Érian e Fernando temeram em sair muito tarde, pegar trânsito e ter a possibilidade de Ester nascer no carro. Quase 6 hs da manhã saímos em direção ao Hospital de Clínicas. Mas no carro as contrações aumentaram de intervalo. Me dei conta de que talvez devessemos ter ficado mais tempo em casa...

Chegamos ao hospital e Érian começou a fazer a ficha, e foi para sala de avaliação. Fui com ela e Fernando aguardou no corredor. Foi preenchida uma ficha e perguntado sobre sua césarea, sobre o pré natal, exames, etc. Nisso entra uma academica. A médica fez um toque e disse que ela estava com 6 cm. Ficamos felizes. Depois veio outra médica, fez as mesmas perguntas e fez outro toque...na verdade eram 4 cmde dilatação. Ai começou a complicar. A médica alegou que como Érain tinha uma cesárea, mesmo sendo de quase 7 anos, ela deveria ficar o TP todo no monitoramento contínuo ( MAP). A indignação da minha doulanda era visível.

No quarto tentamos argumentar sobre o MAP, mas nada. Fernando ainda aguardava para entrar. Eis que surge um “pelotão” dentro do quarto, dois médicos, que ainda não tinhamos conhecido, e uns 5 acadêmicos de medicina. Érian respondeu a várias perguntas, foi avaliada por um enfermeiro (eu acho), que ficava com a mão na barriga vendo a dinâmica das contrações por 10 minutos....aff! Isso era desconfortável e Érian não estava gostando nada (eu menos ainda). Ela perguntou a médica- professora se realmente teria que ficar no MAP, pois sua cesárea era muito antiga.  A médica disse que não havia a necessidade e que pediria para deixarem ela caminhar, usar a bola...mas isso não aconteceu.  A primeira médica que a atendeu veio conversar com ela e explicar a “ imprencidível” necessidade dela ficar sendo monitorada frequentemente. Tentei argumentar, mas quase fui expulsa do local. Na realidade, minha presença incomodava muito a equipe que estava lá. Resolvi me acalmar e ficar quieta, para não correr o risco de minha doulanda ficar sem suporte.

Logo depois disso Fernando chega, e contamos tudo o que estava acontecendo. Chegou uma hora que ela queria ir no banheiro e teve que implorar para tirarem ela do MAP.  Gente sem noção, desumana ao cubo. Mas eis que às vezes surgiam enfermeiras maravilhosas e tentavam ajudar.Quando conseguimos tirar Érian do maldito MAP, disse a ela que ficasse o máximo possível no banheiro. Mas sempre, a cada hora, religiosamente a colocavam no MAP, faziam o exame de toque, às vezes dois de uma só vez, e ficam apalpando a barriga para ver a porcaria da dinâmica! Olha que saco viu! As contrações espassam sempre que entrava algum chato para fazer não sei o quê....que merda tá?! Tô puta com isso. O desrespeito era claro, e não acatavam nada do que ela pedia.

Cansada, com fome, sendo invadida o tempo todo, Érian começou a travar. Fernando e eu tentávamos animá-la, mas estava claro o cansaço, a indignação, a frustração. Estávamos sendo engolidos pelo sistema. Os médicos estavam sem paciência, porque ela não dilatava do jeito e no tempo que eles queriam. Ai começaram as intervenções. Primeiro rompimento artificial da bolsa. As contrações apertaram um pouco, fomos para ducha graças ao anjo chamado Sandra, enfermeira, que foi falar com a medica para pedir autorização. Mas 1 hora depois de novo o MAP, toque, etc, etc, etc. Depois nada de evolução, a opção ocitocina e remedinho para dor. Ai ficou punk!  E a ordinária da médica, ainda alertou, “se não dilatar nada em uma hora vamos ter que fazer cesárea!”. Em uma hora Érian dilatou meio dedo. A médica, cara de pau, deu o diagnóstico de desproporção céfalo- pélvica, com 6 dedos de dilatação....olha que merda!

Érian sabia que era mentira, mas sabia que não conseguiria mais vencer o sistema. Aceitou a cesárea dolorosamente imposta! Fernando e Érian queriam que eu ficasse com eles durante a cirurgia. Ela na verdade não queria ver nada de tão chateada que estava, mas  falei para não fazer isso... Uma enfermeira, charope,  disse que eu não podia ficar durante a cirurgia, porque não tinha mais utilidade, e que eles precisavam controlar o ambiente...acho que sou leprosa, só pode!

Mesmo assim, com todo este desrespeito, Ester nasceu muito bem, às 18:29 do dia 10 de abril, pesando 3390 gramas e medindo 51 cm de puro charme! Linda demais. Ester mama que é uma beleza. Agora estão só no aguardo para ir para casa.

Minha flor Érian, te agradeço por me deixar te auxiliar neste momento de alegria que é o nascimento de um filho. Foste guerreira, aguentou coisas que muitas não teriam aguentado. Não fique triste, agora é cuidar da pequena Ester e da fofura da Máh! Vou estar contigo, te apoiando sempre!

Fernando, também te agradeço! Deste toda força possível a Érian, e não esmoreceu um minuto sequer. Te agradeço muito mesmo!

OBS: Me desculpem os palavrões, leitores do meu blog. Mas tô de cara com tudo o que aconteceu...muito irritada, querendo fazer horrores....querendo matar 3!!! Este é um relato indignado de uma mulher, de uma mãe, de uma doula...

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